Toda casa espírita escolhe seu nome com intenção. Ninguém sorteia. O nome diz
o que a casa pretende ser, e às vezes a escolha é tão certeira que a história de
uma pessoa passa a explicar o trabalho de dezenas.
É o caso do nome que está na nossa fachada.
Um professor de Sacramento
Eurípedes Barsanulfo nasceu em 1880 em Sacramento, no Triângulo Mineiro.
Foi professor, jornalista e médium, e chamava atenção pela combinação incomum de
rigor intelectual e doçura no trato. Dava aula, escrevia em jornal e atendia
pessoas, muitas vezes no mesmo dia.
O primeiro colégio espírita do mundo
Em 1907, fundou o Colégio Allan Kardec. Era o primeiro
colégio espírita do mundo, e a ideia por trás dele era ousada para a época:
juntar educação formal, ciência e Evangelho na formação de crianças e jovens,
sem transformar a escola em púlpito.
Estudava-se matemática e português como em qualquer lugar. O que mudava era o
clima moral da casa e o que se esperava de um aluno formado ali. A fé educava em
vez de doutrinar.
O fim que explica a vida inteira
Em 1918, a gripe espanhola chegou ao Brasil e Sacramento não escapou.
Eurípedes fez o que fazia sentido para quem ensinava o que ele ensinava:
transformou o colégio em hospital e passou a cuidar dos doentes pessoalmente,
sem descanso e sem escolher quem merecia atenção.
Contraiu a doença nesse trabalho e desencarnou aos 38 anos.
Ficou conhecido como o “Apóstolo da Educação”. O título pega
bem a medida do personagem: alguém que viveu até o último dia aquilo que
pregava, e cuja aula final não foi dada em sala.
Por que esse nome, e não outro
Uma casa que se chama Eurípedes Barsanulfo assume um compromisso duplo, e ele
não é confortável. Fé que educa, de um lado, o que significa estudo de verdade,
com método e sem misticismo. Caridade que age, do outro, o que significa sair do
livro e chegar na vida concreta de quem precisa.
É essa herança que orienta o trabalho do CEEB em Barroso: o estudo semanal
das obras de Kardec, o acolhimento de quem chega sem saber direito o que
procura, a evangelização das crianças e as ações de amparo às famílias da
cidade.
Uma história que continua sendo escrita
Quando alguém entra pela primeira vez na nossa casa, entra nessa história.
Não como espectador de um museu, mas como mais um par de mãos possível.
Se quiser conhecer de perto, é só chegar num dos horários abertos. Não precisa
marcar, não precisa pagar e não precisa ser espírita.


